
Evento: III Jornadas de Educação of Chaves, abertura do ano letivo
Data: 3 de Setembro, 2026
Local: Chaves, Portugal
Organização: Município de Chaves & Universidade Politécnica de Bragança
Oradora: Marta Pinto, AI goes to School
A fundadora Marta Pinto, participou na abertura do ano letivo no âmbito das III Jornadas de Educação de Chaves, com um painel sobre o impacto da IA na aprendizagem, intitulada “Atenção em fragmentos(?): a neurociência da concentração num ecossistema de notificações, ecrãs e IA”.
Como acontece frequentemente com este tema, as pessoas querem uma resposta simples: a IA é boa ou má para a aprendizagem? O que a investigação realmente revela é mais útil do que isso.
Três ideias estiveram no centro da conversa:
- Proteger a aprendizagem é a prioridade.O desenho pedagógico pode promover mais ou menos a aprendizagem. Quando a IA é integrada, também pode proteger a aprendizagem ou negligenciá-la, dependendo da forma como é feita. A ciência demonstra isto. Num estudo do MIT (Kosmyna et al., 2025) mostrou que escrever primeiro e só depois recorrer à IA mantém maior atividade cerebral e a retenção da informação; fazer o inverso, não. Dois estudos recentes, complementares, sobre o Khanmigo, o tutor de IA da Khan Academy: o primeiro, de larga escala e 2 anos de duração (Oreopoulos & Low, 2026), mostrou que dar acesso ao tutor IA não bastou para melhorar a aprendizagem; o segundo, dos mesmos autores (Oreopoulos et al., 2026), revelou porquê: quando o desenho da ferramenta obriga o aluno a fazer o esforço (por exemplo, só avançar depois de responder corretamente), os resultados melhoram.
Na prática: os professores levaram um resumo com dois slides que podem usar na sua sala de aula para seus alunos. - A resposta não é proibir a IA ou o digital. É redesenhar.Passar de atividades centradas no produto final para atividades centradas no processo — discussões, portefólios, reflexão, feedback entre pares — sustentadas em três princípios simples: intenção, transparência, diálogo. Ajudar os alunos a ter consciência de como aprendem melhor.
Na prática: lista de atividades resistentes à IA, e atividades para ajudar os alunos a praticar o foco e a atenção. - O que já está a acontecer, em salas de aula reais.Exemplos concretos de professoras que já desenharam atividades com IA generativa na sua sala de aula. No 1.º Ciclo, crianças de 8 anos testaram se um chatbot “se engana”. Alunos do secundário a usar IA para propor soluções ambientais reais para a sua comunidade.
Na prática: cartões-resumo dos planos de aula, com links para os planos detalhados para quem quiser aprofundar.
Os professores participaram ativamente, fizeram perguntas e partilharam as suas experiências com a IA nas suas salas de aula. Ao resumirem a sessão nas suas próprias palavras, destacaram: novas ideias para aplicar nas aulas; aprendizagem; leveza; esperança; confiança no potencial da IA; todas as inteligências se complementam.
Obrigada às III Jornadas da Educação e à Câmara Municipal de Chaves pelo convite, e a todos os professores que tornaram esta sessão uma conversa a sério.
Se quiser levar estas conversas até ao seu Agrupamento de Escolas ou Município, para professores, estudantes ou famílias, contacte-nos.
Aprofundar leituras
Kosmyna, N., et al. (2025). Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task. MIT Media Lab. arxiv.org/pdf/2506.08872
Oreopoulos, P., & Low, N. (2026). One Click Away: AI Tutoring with Khanmigo in a Two-Year School Experiment. NBER Working Paper 35620. https://edworkingpapers.com/ai26-1551
Oreopoulos, P., Liut, M., Sungu, A., & Low, N. (2026). Making AI Tutoring Productive: Evidence from a Mastery-Based Math Practice Experiment. EdWorkingPaper No. 26-1552.

